sábado, 27 de agosto de 2011

poema

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís de Camões

poesia

Esta é a voz dos inocentes

Esta é a voz dos inocentes
Que à Humanidade pede compaixão e amor:
Deixem de fazer coisas indecentes,
Permitam-nos a vida por favor!

A todas aquelas que seus filhos rejeitam,
Pedimos que não os tratem como lixo –
Dêem-nos àqueles que a vida respeitam,
Pois esse comportamento é abaixo de bicho.

Quando nascemos precisamos de mamar,
E o leite materno é o nosso ideal,
Reparem bem para os animais em vosso redor
E imitem o seu comportamento “irracional”.

Não nos impinjam tantos doces e gulodices
Pois só prejudicam a nossa saúde
Ensinem-nos a gostar de fruta, legumes e hortaliças,
Eduquem-nos com afecto e virtudes.

Necessitamos de conforto e agasalho,
Mas as marcas não são essenciais –
Não passem o tempo todo no trabalho,
Pois precisamos muito dos nossos PAIS!

Pensem nos nossos pulmões imaturos
E não nos obriguem a respirar a fumaça.
Vocês que são grandes e maduros,
Façam coisas que nos caiam em graça.

Somos frágeis e delicados,
Nossos organismos estão a medrar
Dêem-nos brinquedos adequados
E não objectos que nos vão lesar.

Se realmente querem o nosso bem,
Por favor parem com o consumismo,
Poupem a pouca saúde que a Terra tem
E virem-se para o naturalismo.

Não abafem a crosta terrestre com betão,
Deixem resfolegar o nosso planeta,
Pois andam a tapar-lhe a respiração –
Por este andar não lhe restará uma só greta!

As arvores que bailavam no vento
Desaparecem como por magia
E nas verdes florestas de outrora
Reinam o cimento e a desarmonia.
Peralta

frase

Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.